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10 de Setembro: Nem tudo Acabou

Nem toda dor consegue pedir ajuda. Neste 10 de setembro, falamos sobre prevenção ao suicídio, escuta, acolhimento e onde buscar ajuda no Brasil, nos Estados Unidos e em outros países.

Nem toda dor consegue pedir ajuda. Há sofrimentos que não chegam em forma de pedido.

Não vêm acompanhados de uma frase clara, de um anúncio ou de um pedido explícito de socorro.

Às vezes aparecem no silêncio. No afastamento. Na mudança de comportamento.

Na pessoa que continua trabalhando, estudando, cuidando da família, publicando, conversando e até sorrindo — enquanto alguma coisa parece desabar por dentro.

Por isso, neste 10 de setembro, talvez uma das perguntas mais importantes não seja apenas:

“Por que alguém pensa em desistir?” Talvez precisemos perguntar também: “Nós estamos realmente escutando?”

Quando a vida perde a linguagem

Existem momentos em que o sofrimento parece maior do que as palavras disponíveis para explicá-lo.

Dizer “eu não estou bem” pode ser difícil.

Pedir ajuda pode exigir uma energia que a pessoa já não consegue encontrar. E é justamente aí que a presença de alguém pode importar.

Não é preciso ter uma resposta perfeita. Não é preciso resolver a vida do outro. Não é preciso transformar cada conversa em conselho.

Às vezes, o primeiro gesto é muito mais simples: “Como você está, de verdade?” E permanecer ali tempo suficiente para ouvir a resposta.

Nem todo sofrimento é visível

Existe uma ideia perigosa de que conseguiremos reconhecer facilmente alguém que chegou ao limite.

Nem sempre. O sofrimento humano não tem uma aparência única.

Por isso, prevenção também passa por construir relações nas quais seja possível falar sobre medo, desesperança, solidão, esgotamento e vontade de desistir sem que a pessoa seja imediatamente julgada, diminuída ou silenciada.

Falar sobre suicídio com responsabilidade não significa transformar sofrimento em espetáculo.

Significa romper o silêncio. Significa levar a dor a sério.

Significa reconhecer que alguém pode precisar de ajuda antes mesmo de conseguir formular claramente esse pedido.

E se alguém disser que não quer mais viver?

Escute. Não transforme a conversa em sermão.

Não responda dizendo que a pessoa precisa ser forte. Não compare a dor dela com a de outras pessoas.

Não tente provar que ela “tem tudo para ser feliz”. Leve a fala a sério.

Permaneça próximo, quando for possível e seguro, e ajude essa pessoa a procurar apoio profissional ou um serviço de crise.

Quando existe risco imediato, a situação precisa ser tratada como emergência.

Talvez você não saiba quem precisa deste vídeo

Por isso, quero fazer um pedido muito simples: compartilhe. Não porque um compartilhamento resolva sozinho um sofrimento complexo.

Mas porque uma mensagem circula. Uma informação circula. Um número de ajuda circula.

Uma pergunta circula. Uma possibilidade circula.

E talvez este vídeo chegue a alguém que você nem imagina estar procurando uma razão, uma pessoa ou simplesmente um lugar seguro para começar a falar. Compartilhar também é participar desta campanha.

10 de setembro: nem tudo acabou

Talvez hoje alguma coisa pareça ter acabado.

Um relacionamento. Um projeto. Uma certeza.

Uma esperança.

Uma forma de imaginar o futuro. Mas o fim de alguma coisa não precisa significar o fim de tudo.

Se você chegou até este texto porque está sofrendo, não precisa encontrar sozinho todas as respostas agora.

Comece por uma pessoa. Uma conversa. Um profissional. Um serviço de apoio.

Uma frase já pode ser um começo: “Eu preciso conversar com alguém.”

Onde procurar ajuda

🇧🇷 Se você está no Brasil

O CVV — Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito e sigiloso.

Telefone: 188. O atendimento telefônico funciona 24 horas por dia, todos os dias, gratuitamente em todo o território brasileiro.

O CVV também oferece outras formas de contato, incluindo chat.

Em uma situação de urgência ou risco imediato, procure um pronto atendimento ou acione o SAMU pelo 192.

🇺🇸 Se você está nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos existe a 988 Suicide & Crisis Lifeline.

Ligue ou envie uma mensagem de texto para: 988

O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, gratuitamente e de forma confidencial.

Também existe atendimento por chat. E uma informação especialmente importante para nossa comunidade latino-americana: há atendimento em espanhol. Pelo telefone, é possível ligar para 988 e pressionar 2. Por mensagem de texto, é possível enviar AYUDA para 988.

Em situação de perigo imediato nos Estados Unidos, procure um serviço de emergência ou ligue 911.

🌎 Se você está em outro país

Não existe um único número de prevenção ao suicídio que funcione mundialmente.

Por isso, para quem está em outros países, uma das melhores referências é o Find A Helpline, um diretório internacional que permite localizar serviços de apoio emocional e crise de acordo com o país onde a pessoa está.

A plataforma reúne linhas verificadas em mais de 175 países e permite procurar atendimento por telefone, mensagem, chat e, em alguns lugares, WhatsApp.

A International Association for Suicide Prevention (IASP) também direciona pessoas em crise para esse serviço internacional.

Procure: Find A Helpline e selecione o país onde você está. Se houver perigo imediato, procure o serviço de emergência do seu país.

Quando a Vida Perde a Linguagem

Este vídeo faz parte de uma conversa que quero continuar.

Na série Quando a Vida Perde a Linguagem, no canal Daseinsanálise Oficial, falamos sobre sofrimento humano, existência, saúde mental e sobre aquilo que muitas vezes permanece escondido justamente porque ainda não encontrou palavras.

Talvez você nunca saiba quem recebeu essa mensagem porque você decidiu compartilhá-la.

E não precisa saber. Às vezes, basta ajudá-la a chegar.

10 de setembro. Nem tudo acabou. Escute. Acolha. Compartilhe informação.

Você importa.

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Não é Vaidade: O Que é Narcisismo Vulnerável de Verdade

Narcisismo vulnerável não é vaidade. Entenda os sinais, a relação com vergonha e dependência de validação, e como a psicoterapia pode ajudar.

Quando falamos em narcisismo, quase sempre imaginamos alguém arrogante, exibido, convencido de que é melhor do que os outros. Alguém que precisa ser o centro das atenções.

Mas existe uma forma de narcisismo que não parece grandiosa. Ela parece frágil. Sensível. Às vezes até tímida. É o chamado narcisismo vulnerável. E ele é muito mais comum do que se imagina.

Não é excesso de autoestima. É autoestima instável.

No narcisismo vulnerável, a autoestima não é sólida. Ela oscila. Num momento, a pessoa pode se sentir especial. No outro, profundamente insuficiente.

Um elogio traz alívio. Uma crítica pequena pode provocar um sofrimento desproporcional. O problema não é sentir. É depender demais do olhar do outro para se sentir inteiro.

A hipersensibilidade não é frescura.

A crítica dói de verdade. O silêncio pode ser interpretado como abandono. A demora numa resposta vira sinal de rejeição.

Quem observa de fora pode pensar: “Está exagerando.” Mas por dentro, a experiência é intensa e real. Existe um medo constante de não ser valorizado, de não ser reconhecido, de não ser importante. E esse medo é silencioso.

Vergonha é a palavra-chave. Se existe uma emoção central no narcisismo vulnerável, é a vergonha:

  • Vergonha de não ser bom o bastante;

  • Vergonha de precisar tanto de aprovação;

  • Vergonha de sentir inveja;

  • Vergonha de se comparar o tempo todo.

É uma estrutura interna que diz: “Se eu não for admirado, eu desapareço.” Relações ficam tensas — mesmo sem intenção. O narcisismo vulnerável pode afetar vínculos de maneira sutil.

A pessoa pode:

  • Precisar constantemente de confirmação de amor;

  • Interpretar neutralidade como frieza;

  • Guardar ressentimentos sem falar;

  • Alternar entre retraimento e cobranças emocionais.

Quem convive pode se sentir exausto, sem entender exatamente por quê. Não é maldade. É insegurança que tenta se proteger. Não é vaidade. Isso é importante repetir.

Narcisismo vulnerável não é excesso de amor-próprio. É dificuldade de sustentar valor próprio sem testemunha. É sentir que só se é alguém quando alguém está olhando.

Por isso a validação traz alívio — mas nunca resolve definitivamente. Porque o problema não está apenas no outro. Está na base frágil da autoimagem.

É possível mudar? Sim.

Mas não pela via da acusação ou da humilhação. A mudança começa quando a pessoa consegue:

  • Reconhecer sua dependência de validação;

  • Tolerar frustração sem colapsar;

  • Diferenciar crítica de rejeição;

  • Construir autoestima a partir de dentro;

  • Enfrentar a vergonha sem precisar se esconder ou atacar

Isso é trabalho emocional. É processo. É maturidade.

Psicoterapia não serve para “tirar defeitos”. Serve para fortalecer aquilo que nunca foi suficientemente sustentado. Em terapia, é possível compreender de onde vem essa necessidade intensa de validação e aprender, gradualmente, a sustentar valor próprio sem depender exclusivamente do olhar do outro.

Autoconhecimento não é exposição pública. É construção interna.

E isso é possível. Narcisismo vulnerável não é vaidade. É medo profundo de não ser visto — e de não existir sem o olhar do outro.

Você já se sentiu assim? 💛

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