Sobre Mim

Minha trajetória nasce no encontro entre clínica, filosofia e experiência de mundo. O que sustenta meu trabalho não é apenas a formação, mas uma pergunta que me acompanha há anos:

Como o ser humano existe, sofre e constrói sentido no mundo?

Sou psicóloga, com formação inicial em psicologia forense, tendo atuado como mediadora e conciliadora judiciária. Foi nesse campo que meu olhar para o sofrimento humano se transformou — especialmente diante dos conflitos, das relações de poder e dos limites da linguagem.

Ao longo da minha trajetória, atuei no serviço público como referência técnica em políticas de medidas socioeducativas e saúde do trabalhador. Essa experiência aprofundou minha escuta para as formas institucionais de sofrimento, para a precarização da vida e para as tensões entre sujeito, trabalho e Estado.

Minha formação se ampliou em diálogo com a filosofia, a teologia e a antropologia cultural, especialmente no contato com diferentes formas de organização simbólica e modos de existir. Esse percurso atravessa diretamente minha prática clínica, ao reconhecer que o sofrimento humano não pode ser reduzido a modelos universais.

Essa compreensão foi aprofundada por experiências em contextos extremos de vulnerabilidade humana, com atuação em países africanos como Congo, Namíbia, Angola, Zaire e Moçambique. Esses encontros reafirmaram a necessidade de uma escuta ética, situada e sensível à realidade concreta de cada existência.

Atualmente, atuo como psicóloga clínica, com prática fundamentada na fenomenologia existencial, em diálogo com a tradição da Daseinsanálise.

Meu trabalho parte de um princípio simples, mas radical:

O sofrimento não é algo a ser corrigido, mas algo a ser compreendido em seu modo de aparecer.

Essa escuta considera sempre a história, a cultura, o corpo, o trabalho e a linguagem que atravessam cada pessoa.

Sou também escritora.
Minha produção nasce da clínica e retorna a ela.

A escrita, para mim, é uma forma de pensar o mundo e de devolver ao outro aquilo que se revela na escuta — especialmente nos temas ligados à existência contemporânea, às formas de violência simbólica e às condições do sofrimento psíquico hoje.

Minha formação segue em curso — não como acúmulo de títulos, mas como disponibilidade contínua para escutar, pensar e sustentar o humano onde ele se revela, inclusive onde dói.