10 de Setembro: Nem tudo Acabou
Nem toda dor consegue pedir ajuda. Há sofrimentos que não chegam em forma de pedido.
Não vêm acompanhados de uma frase clara, de um anúncio ou de um pedido explícito de socorro.
Às vezes aparecem no silêncio. No afastamento. Na mudança de comportamento.
Na pessoa que continua trabalhando, estudando, cuidando da família, publicando, conversando e até sorrindo — enquanto alguma coisa parece desabar por dentro.
Por isso, neste 10 de setembro, talvez uma das perguntas mais importantes não seja apenas:
“Por que alguém pensa em desistir?” Talvez precisemos perguntar também: “Nós estamos realmente escutando?”
Quando a vida perde a linguagem
Existem momentos em que o sofrimento parece maior do que as palavras disponíveis para explicá-lo.
Dizer “eu não estou bem” pode ser difícil.
Pedir ajuda pode exigir uma energia que a pessoa já não consegue encontrar. E é justamente aí que a presença de alguém pode importar.
Não é preciso ter uma resposta perfeita. Não é preciso resolver a vida do outro. Não é preciso transformar cada conversa em conselho.
Às vezes, o primeiro gesto é muito mais simples: “Como você está, de verdade?” E permanecer ali tempo suficiente para ouvir a resposta.
Nem todo sofrimento é visível
Existe uma ideia perigosa de que conseguiremos reconhecer facilmente alguém que chegou ao limite.
Nem sempre. O sofrimento humano não tem uma aparência única.
Por isso, prevenção também passa por construir relações nas quais seja possível falar sobre medo, desesperança, solidão, esgotamento e vontade de desistir sem que a pessoa seja imediatamente julgada, diminuída ou silenciada.
Falar sobre suicídio com responsabilidade não significa transformar sofrimento em espetáculo.
Significa romper o silêncio. Significa levar a dor a sério.
Significa reconhecer que alguém pode precisar de ajuda antes mesmo de conseguir formular claramente esse pedido.
E se alguém disser que não quer mais viver?
Escute. Não transforme a conversa em sermão.
Não responda dizendo que a pessoa precisa ser forte. Não compare a dor dela com a de outras pessoas.
Não tente provar que ela “tem tudo para ser feliz”. Leve a fala a sério.
Permaneça próximo, quando for possível e seguro, e ajude essa pessoa a procurar apoio profissional ou um serviço de crise.
Quando existe risco imediato, a situação precisa ser tratada como emergência.
Talvez você não saiba quem precisa deste vídeo
Por isso, quero fazer um pedido muito simples: compartilhe. Não porque um compartilhamento resolva sozinho um sofrimento complexo.
Mas porque uma mensagem circula. Uma informação circula. Um número de ajuda circula.
Uma pergunta circula. Uma possibilidade circula.
E talvez este vídeo chegue a alguém que você nem imagina estar procurando uma razão, uma pessoa ou simplesmente um lugar seguro para começar a falar. Compartilhar também é participar desta campanha.
10 de setembro: nem tudo acabou
Talvez hoje alguma coisa pareça ter acabado.
Um relacionamento. Um projeto. Uma certeza.
Uma esperança.
Uma forma de imaginar o futuro. Mas o fim de alguma coisa não precisa significar o fim de tudo.
Se você chegou até este texto porque está sofrendo, não precisa encontrar sozinho todas as respostas agora.
Comece por uma pessoa. Uma conversa. Um profissional. Um serviço de apoio.
Uma frase já pode ser um começo: “Eu preciso conversar com alguém.”
Onde procurar ajuda
🇧🇷 Se você está no Brasil
O CVV — Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito e sigiloso.
Telefone: 188. O atendimento telefônico funciona 24 horas por dia, todos os dias, gratuitamente em todo o território brasileiro.
O CVV também oferece outras formas de contato, incluindo chat.
Em uma situação de urgência ou risco imediato, procure um pronto atendimento ou acione o SAMU pelo 192.
🇺🇸 Se você está nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos existe a 988 Suicide & Crisis Lifeline.
Ligue ou envie uma mensagem de texto para: 988
O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, gratuitamente e de forma confidencial.
Também existe atendimento por chat. E uma informação especialmente importante para nossa comunidade latino-americana: há atendimento em espanhol. Pelo telefone, é possível ligar para 988 e pressionar 2. Por mensagem de texto, é possível enviar AYUDA para 988.
Em situação de perigo imediato nos Estados Unidos, procure um serviço de emergência ou ligue 911.
🌎 Se você está em outro país
Não existe um único número de prevenção ao suicídio que funcione mundialmente.
Por isso, para quem está em outros países, uma das melhores referências é o Find A Helpline, um diretório internacional que permite localizar serviços de apoio emocional e crise de acordo com o país onde a pessoa está.
A plataforma reúne linhas verificadas em mais de 175 países e permite procurar atendimento por telefone, mensagem, chat e, em alguns lugares, WhatsApp.
A International Association for Suicide Prevention (IASP) também direciona pessoas em crise para esse serviço internacional.
Procure: Find A Helpline e selecione o país onde você está. Se houver perigo imediato, procure o serviço de emergência do seu país.
Quando a Vida Perde a Linguagem
Este vídeo faz parte de uma conversa que quero continuar.
Na série Quando a Vida Perde a Linguagem, no canal Daseinsanálise Oficial, falamos sobre sofrimento humano, existência, saúde mental e sobre aquilo que muitas vezes permanece escondido justamente porque ainda não encontrou palavras.
Talvez você nunca saiba quem recebeu essa mensagem porque você decidiu compartilhá-la.
E não precisa saber. Às vezes, basta ajudá-la a chegar.
10 de setembro. Nem tudo acabou. Escute. Acolha. Compartilhe informação.
Você importa.