Formação
Minha formação não se organiza como uma sequência de títulos, mas como um percurso existencial no qual clínica, filosofia e experiência de mundo se entrelaçam.
O interesse pelo sofrimento humano sempre esteve menos ligado à classificação de sintomas e mais à compreensão do modo como o ser humano existe — como se constitui na linguagem, no tempo, na cultura e nas relações que o atravessam.
Foi a partir dessa inquietação que minha trajetória se construiu entre a Psicologia, a Filosofia e a Teologia, encontrando na fenomenologia existencial o solo mais rigoroso para sustentar uma escuta clínica não redutora.
Formação acadêmica
Sou psicóloga, com formação inicial em Psicologia Forense, área na qual atuei também como mediadora e conciliadora judiciária no Brasil. Essa experiência inaugurou um olhar atento ao conflito humano, às dinâmicas de poder, à linguagem e às formas institucionais de sofrimento.
No campo filosófico, sou mestre em Filosofia, com formação orientada pela fenomenologia e pela ontologia existencial, e bacharel em Teologia, percurso que aprofundou minha reflexão sobre sentido, finitude, responsabilidade e cuidado.
Desde cedo, minha formação acadêmica se desenvolveu em diálogo constante com a Filosofia, possibilitando pensar o sofrimento humano não como desvio a ser corrigido, mas como expressão de um modo de ser-no-mundo.
Formação em Daseinsanálise
A Daseinsanálise tornou-se o eixo central da minha prática clínica e do meu pensamento teórico a partir do diálogo com a ontologia de Martin Heidegger e com a tradição fenomenológico-existencial aplicada à clínica.
Essa abordagem compreende que o sofrimento psíquico não é algo que o indivíduo possui, mas algo que se manifesta no modo como ele existe, se relaciona, se compreende e se projeta no mundo.
Minha formação em Daseinsanálise envolve o estudo da ontologia existencial, os fundamentos da fenomenologia clínica, a atenção à linguagem, à temporalidade e à historicidade, bem como uma crítica contínua aos modelos normativos e tecnicistas da psicologia.
Essa perspectiva sustenta uma clínica voltada ao desvelamento do sentido, e não à adaptação ou normalização do sujeito.
Experiência institucional e políticas públicas
Parte significativa da minha trajetória formativa se deu no serviço público brasileiro, atuando como referência técnica em políticas de medidas socioeducativas e saúde do trabalhador, em articulação com diferentes equipamentos públicos e redes intersetoriais.
Essa experiência consolidou uma escuta sensível às formas institucionais de sofrimento, à precarização da vida, ao impacto do trabalho na subjetividade e às tensões entre sujeito, Estado e sociedade.
Pesquisa, antropologia cultural e inserção internacional
Minha formação se ampliou por meio de pesquisas em antropologia cultural, com interesse em etnias, povos originários e formas tradicionais de organização simbólica e social.
Essa dimensão antropológica atravessa meu pensamento clínico ao questionar universalismos e ao reconhecer a pluralidade dos modos de existir.
Esse percurso foi aprofundado por experiências em contextos extremos de vulnerabilidade humana, com atuação em países africanos como Congo, Namíbia, Angola, Zaire e Moçambique, reforçando a necessidade de uma escuta clínica situada, ética e não colonizante.
Formação permanente
A formação, para mim, permanece em curso — não como acúmulo de certificações, mas como disponibilidade contínua para pensar, escutar e sustentar o humano onde ele se revela, inclusive onde dói.
Esse percurso fundamenta minha prática clínica, minha escrita e minha atuação formativa no campo da psicologia fenomenológico-existencial.
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