Crônica do Existir
Sem moral.
Sem fórmula.
Sem promessa de resolução.
Estas não são crônicas para ensinar, convencer ou oferecer respostas prontas.
São textos que nascem do intervalo —
do instante em que algo falha, escapa ou não se encaixa no discurso do sucesso.
Aqui, a vida não aparece como narrativa linear.
Aparece como experiência.
Às vezes fragmentada.
Às vezes silenciosa.
Quase sempre ambígua.
O Existir não se resume em grandes feitos, mas sobre aquilo que sustenta — ou desorganiza — o viver cotidiano:
o cansaço que não se explica,
a sensação de ter ido longe demais de si,
o estranhamento de continuar funcionando quando algo, por dentro, pede pausa.
Não se trata de psicologia aplicada,
nem de filosofia ilustrada,
nem de literatura terapêutica.
Trata-se de presença.
De permanecer com a pergunta
quando a resposta seria mais confortável.
De reconhecer que nem toda travessia é visível,
que nem toda queda é fracasso,
e que, às vezes, o gesto mais radical
não é avançar —
mas ficar.
Esses textos não pretendem conduzir.
Apenas acompanhar.
Se algo aqui tocar,
não é porque foi explicado,
mas porque já estava aí.
Apenas presença.